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Workshop Vale Cuidar usa neurociência no desenvolvimento infantil nos primeiros anos de vida

Texto: Rodrigo Da Costha

 

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Foto: Rodrigo Da Costha

A formação de melhores jovens e adultos é parte do desenvolvimento humano e isso só é possível quando a base é bem formada e forte. Essa base é conseguida, de acordo com especialistas, na primeira infância, que vai do 0 aos 6 anos de idade.

Nesse sentido o Vale Educar, iniciativa da Vale. O Workshop foi  realizado na manhã da última sexta-feira (25), no CRAS de Laranjeiras. Estiveram presentes profissionais da Rede de Proteção dos Direitos da Criança, com o objetivo de aprofundar os conhecimentos sobre o desenvolvimento infantil e Neurociência. A sociedade civil também participou do evento.

Andressa Azevedo, Analista de Responsabilidade Social da Vale explica que o programa começou em 2013, no Bairro Flexal, Cariacica e que vem se desenvolvendo ao longo dos anos e transformando vidas, e contou alguns dos relatos de sucesso do curso de cuidadores.

“Houve um caso de uma senhora que participou de nossos cursos de formação de cuidadores e que a criança notou a diferença nos tratos que a mesma tinha com ela. Quando a criança soube que a avó estava fazendo um curso, ela disse que os professores dela estavam de parabéns, pois ela havia mudado o jeito de tratar aquela criança”. Pontua Andressa Azevedo.

Desde que foi criado, o Vale Cuidar já envolveu cerca de 1.200 pessoas na temática da primeira infância em diferentes bairros da Grande Vitória, como Flexal I, Flexal II e Nova Canaã, em Cariacica; Central Carapina, no município de Serra; Praia do Canto, Jardim da Penha e Jardim Camburi, em Vitória; e Praia da Costa, em Vila Velha. A expectativa é que o programa envolva cerca de 1.000 pessoas em 2016.

Andressa enfatiza também, que a formação de bons cidadãos se dá com a qualidade de tempo que é gasto com as crianças. “Uma caixa de papelão pode ser muito mais construtiva do que dar um tablet ou um computador para a criança, mas a questão do tempo está complicada, pois as mães saíram para trabalhar e não tem mais tanto tempo, porém não importa a quantidade e sim a qualidade, trinta minutos bem dedicados com a criança já faz a diferença é mais importante do que a mãe ficar o dia todo na cozinha e a criança ficar na sala vendo TV”.

A Juíza Janete Pantaleão, da 2ª Vara da Infância e Juventude da Serra, que também participou do workshop, enfatizou a importância de palestras e workshops como este. Ela explica também que, o que vemos na sociedade hoje é reflexo de uma má formação da primeira infância.

“É visível a negligência a ausência de cuidados e até aquele cuidado deficiente, às vezes por falta de conhecimento ou muitas vezes por falta de interesse em cuidar de suas crianças, então é importante que o poder público que lida principalmente com os casos de negligência familiar acione os mecanismos de defesa e de proteção dessas crianças, para que elas possam refletir para elas mesmas o bem ou o mal que ela está recebendo nessa primeira faixa etária”.

A sociedade civil também tem um papel fundamental nesse desenvolvimento e até na prevenção de algum tipo de negligência ou maus tratos com essa criança em desenvolvimento. “A importância de ser divulgado esse conhecimento é o despertamento da sociedade de saber que nessa faixa etária, todos somos responsáveis pelos cuidados das crianças, e que tendo o conhecimento de gestantes ou de crianças que não estão recebendo os cuidados necessários que acionem os órgãos de proteção existentes em seus municípios” afirma a juíza.

“É necessário que todos se interessem pelas crianças, não somente os pais, mas todos que tem conhecimento que aquela criança existe e precisa de cuidados e segundo que todos se informem, precisamos absorver melhor os conhecimentos de como cuidar melhor e terceiro o resultado vai ser evidente para a sociedade, que nós esperamos que seja o melhor para todos”, finaliza a Juíza Janete Pantaleão.

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Foto: Rodrigo Da Costha

O vereador eleito Cabo Porto também esteve presente ao workshop é bem conhecido pelo trabalho que já desenvolve com ações e palestras, que visam esse cuidado com a primeira infância. O mesmo dá palestras para crianças e explica o quão perigoso é o caminho das drogas e da criminalidade.

“A criança é literalmente o ciclo do meio, se ela crescer sem estrutura e apoio, sem um espelho dos pais ou da sociedade ela vai ser fruto daquele meio. Se ela crescer no meio do tráfico, ela vai achar que é a vida certa, e vai pensar que os órgãos de proteção como a polícia são os errados. Houve casos em que os pais escondiam as drogas nas roupas das crianças, e quando íamos às ocorrências, elas pediam que não levassem os pais e diziam que nós éramos os ruins. Se a política é para servir a sociedade e não deixar que haja uma inversão de valores, a verdadeira política e não a política burra vai salvar gerações. A tendência que vemos nas apreensões é a diminuição na idade em que eles são presos, se antes prendíamos jovens com 15 ou 16 anos, hoje prendemos crianças de 10 aos 12 anos. Não podemos mais conflitar gerações. Não devemos achar isso normal, temos que plantar uma semente hoje para que os filhos de nossos filhos colham. Temos que fazer políticas publicas para as futuras gerações,” enfatizou Cabo Porto.

Vale lembrar que em 2016 foi sancionado o Marco Legal da Primeira Infância, lei que cria um conjunto de planos, programas e serviços que visam garantir o desenvolvimento integral das crianças de zero a seis anos.

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