You are currently viewing Casal de policiais militares relembra adoção de filho
Foto: Divulgação PM/ES

Casal de policiais militares relembra adoção de filho

“E lá estava; um menino franzino de quatro anos, de olhos fundos e tristes, que, de imediato, me perguntou se o levaria para casa, porque a mãe dele não o quis”.

Foto: Divulgação PM/ES

O trecho faz parte da história do casal, cabo Maria das Graças Kotasek e sargento Célio, policiais militares do 9º Batalhão que há 11 anos adotaram o Mateus, após conhecerem o menino durante uma visita a uma Casa de Passagem localizada no município de Anchieta. 

A militar disse que sempre visitava crianças para apadrinhar, em virtude dos “Dia das Crianças”, e que encontrou o filho num período muito difícil da vida: ela travava uma árdua luta contra a depressão quando conheceu a criança. Kotasek falou que seu coração ficou naquele abrigo, amando e aguardando o menino, já que seu esposo ainda não conhecia o Mateus. 

A família ficou maior quando Célio e Kotasek foram juntos à Casa de Passagem e, durante a visita, o menino agarrou as pernas do policial e disse: “Você é meu pai”. Naquele momento, os três ganhavam uma nova vida. 

Do abandono ao novo lar, os pais e o menino tiveram ainda que enfrentar barreiras, que os corações transpuseram esperançosamente. O casal requereu à Justiça e, de passo-a-passo, conseguiu a guarda provisória, depois a guarda definitiva, até a tão esperada adoção. 

Célio, Kotasek e Mateus, 15 anos, retratam a história de muitas famílias que comemoraram no último dia 25 de maio o “Dia Nacional da Adoção”.  

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cerca de 7.600 crianças e adolescentes em todo o país estão cadastradas aguardando a adoção. No Espírito Santo, 232 crianças esperam um novo lar. 

Exposição em shopping 

A mostra fotográfica “Toda criança e adolescente precisa de uma família. Adote esta ideia” vai ficar em exposição até o dia 15 de junho no 2º piso do Shopping Vitória. 

Durante a mostra, o Grupo Ciranda de Apoio à Adoção faz a exposição de fotos de diferentes famílias que passaram pelo processo da doação. O evento chama a atenção para o desejo de toda pessoa crescer em um lar de amor e respeito. 

“Esperando por Você” 

No mês de maio, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) lançou uma campanha para incentivar a adoção tardia. 

A campanha “Esperando por você” chama a atenção para as crianças mais velhas que vivem há anos em instituições de acolhimento, e que possuam condição especial de saúde ou façam parte de grupos de irmãos. 

Para mais informações: 

Comissão Estadual Judiciária da Adoção do Espírito Santo (CEJA/ES)

(27) 3145-3171 • (27) 3145-3172 • (27) 3145-3173 ceja@tjes.jus.br

Relato da adoção do Mateus:

“Mateus!

Na semana seguinte seria o Dia das Crianças e, como sempre procurei a Casa de Passagem no município em que resido na intenção de apadrinhar alguma criança e no dia dedicado a ela proporcionar um presente que lhe fizesse lembrar o quanto era especial. Naquele dia em particular, as funcionárias da casa que já me conheciam me contaram a história triste do Mateus, que naquele horário estava na escola. Eu não o vi, mas, meu coração se confrangeu o resto da tarde por aquela pessoinha que passou por tanto sofrimento. Eu mesma estava em uma difícil fase de minha vida e, ainda que continuasse a trabalhar vinha de uma árdua luta contra a depressão e todos os dias era uma batalha para seguir em frente.

No outro dia pela manhã retornei ao abrigo para conhecer o Mateus. E lá estava; um menino franzino de quatro anos, de olhos fundos e tristes que de imediato me perguntou se o levaria para casa, porque a mãe dele não o quis. As lágrimas desceram! Fui embora, mas, o meu coração ficou lá, amando e guardando aquela criança. Ao chegar em casa, peito apertado de tanta ansiedade, falei ao meu marido que ele precisava ir conhecer o menino e que eu tinha certeza que o sentimento dele seria o mesmo que eu estava sentindo. 

No dia seguinte, sem que tivéssemos conhecimento de que éramos dois seres escolhidos por um destino inexplicável que nos uniu a uma criança em um triângulo inquebrável, fomos ao abrigo. E lá vem o Mateus correndo, abraça as pernas do meu esposo e fala para ele, “você é meu pai!” E o amor foi instantâneo! A coordenadora da casa, senhora experiente, que por vivências parecidas sabia o que viria a seguir, nos aconselhou a fazer um pedido formal à justiça para que pudéssemos levar o menino para passar o feriado conosco. O juiz indeferiu o pleito. Ficamos arrasados!

No dia das crianças, uma festa foi preparada por vários padrinhos das crianças, o juiz da comarca, os funcionários da casa e doadores empresariais. Uma grande comemoração! Em dado tempo, a gerente do abrigo nos apresentou ao magistrado que indeferira nosso pedido e ele nos disse que não poderia apresentar a uma criança recém-chegada ao abrigo uma realidade que não seria a dela e, que devido ao grande trauma causado pela situação que o levara à tutela do Estado, não seria justo com ele. Mas, se quiséssemos a sua guarda deveríamos fazer os procedimentos necessários.

E fizemos! Apesar de termos corrido contra o tempo, contra a tristeza do Mateus no abrigo, contra a nossa frustração em não tê-lo ainda em nossa casa, nós fizemos o possível e tivemos toda sorte de ajuda para que ao fim conseguíssemos a guarda provisória, depois a guarda definitiva e por fim, a adoção do nosso filho. Meu filho “túnico” como ele gostava de se intitular, a alegria de nossa morada.

E os olhos dele deixaram de ser tristes porque os seus pais estavam ali e com eles se poderia contar! Mesmo que no começo a insegurança e o medo de ser abandonado novamente o fizessem dormir de luz acesa e fosse extremamente dependente de nós, com o passar do tempo e nosso amor incondicional, ele floresceu e firmou seu nome em nossa família e em nossos corações! E ainda hoje é meu único filho, o maior amor fora de mim!”

Material de responsabilidade da Assessoria de Imprensa da PM/ES