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O simplismo do pensamento e propagação do ódio político

Leio hoje em uma página do facebook: Voce, que não tem nem dinheiro para sair hoje com sua namorada, lembre-se disso em outubro para punir quem tem culpa por isso, mostrando a foto da Presidenta Dilma.face Incrível, pois essa afirmação parte de uma pessoa cujo nível intelectual não é compatível com essa associação simplista. O fato de alguém não ter dinheiro para levar sua namorada para passear é sintoma de várias coisas: subemprego, mau planejamento de gastos pessoais, falta de investimento em sua própria formação, incompetência, inapetência, talvez. Colocar a culpa de sua dureza na chefe do Executivo Nacional é propagar entre os frequentadores de redes sociais desprivilegiados de argumentação lógica um ódio desnecessário, e que gera uma onda de desconhecimento de causalidade de fatos prejudicial ao processo democrático.

O nosso povo está acostumado ao papel de “coitadinho”, “injustiçado”, “oprimido” e “explorado”. Será mesmo isso? Vejo alunos meus com acesso ao processo educacional, passando pelo crivo de profissionais probos e dignos de estarem onde estão, completamente indiferentes ao benefício proporcionado. Leio em jornais, ouço em telejornais locais, ofertas de empregos, cursos de especialização profissionais gratuitos, oportunidades de crescimento profissional e outras coisas, anunciados quase que diariamente, ao mesmo tempo em que escuto lamentações de pessoas que dizem que a economia brasileira não gera empregos e que estão há muito tempo desempregadas…

Conheço uma pessoa que gerencia recursos humanos e que indica várias chances de empregos à pessoas diariamente. Grande parte dessas pessoas nem vai à entrevista inicial, assim como outras vão e ligam de volta dizendo: “ não era isso que eu queria…”. Venhamos e convenhamos, eu já trabalhei carregando suprimentos para navios, sacos de 60 k de batatas nas costas subindo pontes de cordas com diploma universitário debaixo do braço! Não era isso que eu queria, mas, naquele momento, foi o que colocou comida na mesa da minha família. Exemplo de vida? Não! Apenas a constatação de que, quando se quer trabalhar, quando a fome realmente aperta, se separa o joio do trigo.

Acho que deveríamos fazer uma “meia culpa” pelas falhas que ajudamos a cometer, sem esquecer as vitórias que foram conquistadas, tanto por nós, quanto pelas pessoas que injustamente culpamos pelo nosso fracasso. Ninguém, a não ser nós mesmos, deve ser responsabilizado pela nossa falta de vontade de vencer. Político é culpado por muita coisa, mas não pelo fato de não termos dinheiro para sair com nossas queridas namoradas, afinal, se você disser para ela: “Amor, não vamos sair porque a Dilma me deixou duro…” , ela poderá responder: “Mas você está duro desde que lhe conheço, e FHC era o presidente!”

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Sobre Professor Fábio Borges

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