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A Desconstrução de um Preconceito.

fabioÉ certo que o contexto não contribui especificamente para uma análise complexa, mas a atitude do jogador de futebol do Barcelona, o brasileiro Daniel Alves, foi, no mínimo, Chapliniana. Não nos podemos deixar iludir ao mensurarmos a dimensão do fato: um país como o nosso, preconceituoso, racista e tendencioso, ainda que no auge da prática hipócrita do somostodosmacacos, não deve se vangloriar por estar no epicentro da polêmica, em plena Europa “civilizada”, formando conceitos contrários à xenofobia dos arianos em relação aos negros que insistem em dominar o estrelato nos seus modernos estádios de futebol.

O Brasil é o país da mídia oportunista: não fosse a transmissão de um jogo da Liga Espanhola de Futebol, famosa pelo desfile das maiores estrelas do futebol mundial,e talvez a banana jogada, e comida, por Dani Alves nem tivesse toda essa repercussão. Fatos como esse são comuns por aqui, desde o preconceito para com o negro, o índio, o gordo, o feio, o pobre, o homossexual, o religioso de outras crenças e por aí vai.

Mês passado tivemos o caso do juiz da liga gaúcha que encontrou seu carro cheio de bananas após um jogo e a mídia deu uma visibilidade menor ao fato. Na Espanha, o imbecil que jogou a banana foi identificado, preso, fichado, banido dos estádios e responderá a um processo legal. Aqui, mesmo estando o carro do árbitro dentro do estacionamento destinado aos diretores do time mandante, ninguém foi processado por racismo e só o time sofreu punições, ou seja: a instituição paga pelos crimes de seus diretores racistas e fica tudo bem, até o surgimento de outro caso que dê mais audiência e venda mais jornais.

Mais onde entra Charles Chaplin nesse meu artigo? Comparo, com a devida licença poética, a atitude de Dani Alves ao filme “ O grande ditador”, onde Chaplin interpreta, magnificamente, um personagem claramente baseado em Adolf Hitler e, com a genialidade  de sempre, desconstrói a teoria da superioridade da raça ariana e do darwinismo social propagado pela propaganda nazista. A grande sacada do jogador brasileiro foi minimizar a ignorância do babaca espanhol e interpretar, ao seu modo, um dos ditados mais citados pelos otimistas em relação ao novo mundo: “ Se a vida lhe deu limões, faça uma limonada”. Pois é, a vida deu uma banana ao Daniel, e ele a comeu, levando junto, goela abaixo, sua indignação e sua sabedoria em esnobar o idiota que tentou, em vão, lhe comparar aos macacos.

Dito isso, melhor seria se, ao invés de somostodosmacacos, lançássemos uma campanha com menos complexo de vira latas, algo como somostodoshumanoseiguais. Salve Daniel Alves e seu tapa de luva dolorido na hipocrisia dos europeus, e na hipocrisia de nós, brasileiros, que insistimos em dizer que não somos preconceituosos, apesar das evidencias.

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